Quando o Lockdown entrou pela porta, transformando meus planos e expectativas e o que aprendi com ele.
Vivi os anos de 2020 e 2021 (anos marcados pela pandemia do Covid) na Bélgica com minha família.
A proposta de expatriação do meu marido nos abriu um caminho novo. A possibilidade de viver outra cultura, conhecer lugares diferentes, falar outras línguas, unir a família e poder simplificar a vida (viver com menos porém com mais experiências e conexões).
Optamos por não levar nossos móveis e nos mudamos com 8 malas, nos desapegando de coisas que gostávamos e que naquela época não sabíamos que eram tão supérfluas. Ótima decisão por sinal.
Imaginávamos que teríamos uma dinâmica familiar semanal parecida com a do Brasil. Marido viajando muito a trabalho, minhas pequenas na escola o dia todo e eu curtindo o 2020 off do trabalho (ou sabático como gostam de usar por aí), na Europa. Imaginei pra mim um ano mergulhado em cultura, arte, visitas a museus, além da imersão no Francês. E obviamente, imaginamos viajar aos finais de semana e conhecer pessoas. Ah!, as viagens deveriam ser a melhor parte do ano, a vantagem de estar no centro da Europa.
Mas, como num passe de mágica, BANG! Os planos mudaram.
20 dias de Europa e bateu à porta o Lockdown. 15 de março de 2020, ele entrou. 3 dias antes do meu aniversário.
E pra quem como eu, viveu anos no mundo corporativo em diferentes empresas, com experiências, funções e equipes diversas, sabe que nem sempre as coisas saem como planejado. Dizer nem sempre é uma maneira otimista (como costumo ser). Muitas vezes talvez seja mais realista.
Pois é, muitas vezes as coisas são diferentes do que imaginamos, e a forma como encaramos essas situações, que nos saem do controle, é o que difere as pessoas felizes das frustradas. Os que ganham dos que sofrem. Os que se sobressaem dos que reclamam e se vitimizam.
E eu sabia que mesmo trancada em casa, eu deveria achar uma forma fácil de encarar essa frustração.
A minha vida no lockdown não foi diferente da maioria das mães e mulheres que trabalham fora de casa. Acumulamos atividades novas, realizando algumas com mais facilidade, outras com menos. Professora, cozinheira, faxineira, saídas para o supermercado, reuniões de zoom e entre uma coisa e outra os incontáveis maaaanhêêê....
Reconheço que sou super privilegiada porque passar o lockdown na Europa é bem diferente de passar no Brasil. Lá, regras impostas são regras cumpridas pela maioria das pessoas (porque sempre tem os que não cumprem regras em todo lugar). Também reconheço o privilegio em relação a maioria porque morávamos num apartamento confortável, com salário no fim do mês, comida, saúde e vinho pra alegrar.
Mas lockdown é ruim pra todo mundo. É chato. É frustrante. Te limita quando você não quer estar limitado.
A resiliência, o olhar pra frente com otimismo e fé, confiando que a fase vai passar, além de saber que aprender com as situações vai te tornar um ser humano melhor, são competências cruciais para enfrentarmos todo tipo de frustração.
O lockdown me fez obrigatoriamente estar no presente, no sentido de viver o momento integralmente. Corpo, alma, coração. Aprendi a fazer ginástica em casa, ativar o cérebro com leituras e estudos diversos. Resgatei o ouvir música todos os dias (música é cura), o dançar (ah, como eu amo dançar), a minha conexão comigo mesma e com o Divino. Constatei o que já sabia, manter a minha sanidade mental para poder equilibrar toda a família. Orar, pedir, rezar para o Criador, Deus, Santos. Amadurecer e evoluir na espiritualidade e em tudo que me fortalece. E continuar as reuniões de zoom, as receitas, a limpeza e tudo mais.
O lockdown me fez ter objetivos diários, dos tipos que respondessem a pergunta: O que vou fazer hoje pra não surtar?
Mas tudo passou.
O fim dele foi libertador. A vida parecia que ia entrar no ritmo imaginado no Reveillon 2020. Crianças felizes na escola, marido no escritório, aulas presenciais pra mim. Super! Mas não. O segundo lockdown veio, novas frustrações com ele, depois as restrições mais brandas e assim foi até termos as vacinas, medicamentos e as flexibilizações para podemos conviver com o vírus no dia a dia.
E o que eu aprendi ou reforcei nesses 2 anos?
A continuar vivendo o presente, a ter objetivos diários, a continuar estudando, aprendendo, compartilhando. A tentar ser uma pessoa melhor e impactar o mundo de forma positiva. A preservar nosso meio ambiente e a pensar no próximo porque somos todos super dependentes e interdependentes.
A usar a pandemia como exemplo de que podemos sim, enfrentar situações complexas e desafiadoras com muito bom humor, fé, sabendo que vai passar e que quando passar será lindo e engrandecedor!
A colocar em prática tudo que aprendi, e que não foi pouco, a viver o presente sabendo que sempre podemos fazer um dia incrível:
Amazing Day (Coldplay)
And time seemed to say
"Forget the world and its weight"
Here I just wanna stay...
...Oh, thanks God
Must've heard when I prayed
Because now I always
Want to feel this way
Amazing day
Amazing day
Amazing day
Amazing day

Adorei amiuuuga!!!!!
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